Hachiko: entre a realidade e a ficção

A lealdade dos cães sempre nos chama a atenção em qualquer lugar do mundo. A alegria ao nos ver de volta ao lar, exteriorizada ao abanar loucamente o rabo, sempre nos arranca um sorriso do rosto e gera um brilho no olhar.

A incrível história de Hachiko – o fiel cão japonês – ganhou o mundo, sendo eternizada tanto pelo cinema japonês quanto pelo americano. Para quem não sabe, o filme Sempre ao Seu Lado (Hachi: A Dog’s Tale, nos EUA), estrelado por Richard Gere, trata-se de um remake da versão japonesa de 1987, Hachiko Monogatari. Esta, por sua vez, é baseada em uma história real que aconteceu na década de 20 em Tóquio (ufa!).

O professor do departamento de agricultura da Universidade de Tóquio, Hidesaburo Ueno, apaixonado por cães, adotou Hachi em 1924, e foi amor à primeira vista. Ueno chamava o seu novo companheiro de Hachiko, que é o diminutivo de Hachi. O cãozinho da raça akita inu (o nome da raça está relacionado à região da qual provém esses cães) desenvolveu uma relação tão forte com o seu dono que todos os dias o deixava na estação Shibuya, quando este ia para o trabalho, e voltava, às 15h, para buscá-lo, impressionando todos que presenciavam a rotina dos dois nakamas (amigos).

Estátua de Hachiko na frente de uma famosa loja em Shibuya

Contudo, a alegria durou pouco, e um ano e quatro meses depois, o professor Ueno veio a falecer durante uma reunião do corpo de docentes em seu trabalho, deixando o pobre cão a esperá-lo na estação. Há relatos que, na noite do velório, Hachiko, que estava preso no jardim, quebrou a corrente e foi até o corpo de seu dono, passando a noite inteira ao seu lado.

Outras pessoas tentaram adotar Hachi, mas ele fugia constantemente e retornava para casa de seu dono em Shibuya. Ao perceber que o professor Ueno já não morava mais ali, passou a ir todos os dias esperá-lo na estação.

A espera durou quase dez anos e, por mais que algumas pessoas o ajudassem dando alguns petiscos, a idade avançada e a vida hostil nas ruas interromperam a esperança do cão em ver seu dono novamente. Na noite de 8 de março de 1935, aos 11 anos de idade, Hachiko morreu.

A morte de Hachi estampou as capas dos jornais e a sua história se espalhou por todos os cantos. O cão se tornou símbolo da lealdade e da amizade no país. Estátuas foram erguidas em sua homenagem, inclusive uma que retrata o reencontro com o seu dono. Além disso, o cinema também nos apresentou essa história de maneira incrível e emocionante.

Estátua representando o reencontro entre os dois

O filme de Seijirō Kōyama de 1987 retrata com fidelidade os eventos que vão desde o primeiro encontro entre Hachi e Ueno até a morte do cão. Vale muito a pena assistir!

(Não se esqueçam dos lencinhos)

Já em 2009, Richard Gere estrela a versão americana, divulgando de vez para o mundo a linda história de Hachiko

(Não se esqueçam dos lencinhos, é sério!)

Para aqueles que se apaixonaram por este relato e estiverem em Tóquio, não deixem de ir à estação de Shibuya e tirar uma foto ao lado da estátua de Hachi.

Estátua de Hachiko na estação de Shibuya

E dessa forma, realidade e ficção se juntam. E é assim que a emocionante história de Hachi ficará guardada em nossos corações, não somente como a história de um cão leal, mas como a história de uma amizade verdadeira.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s